15 streamers russos banidos no Twitch

A Twitch está novamente no centro de um escândalo. Desta vez, os alvos são streamers russos. O motivo? A participação no evento “Alabuga Polytech”. A comunidade liberal da plataforma não estava preparada para ver personalidades conhecidas apoiando um projeto em que adolescentes jogam CS2 com seus ídolos.
O resultado: uma onda de denúncias e banimentos em massa.
Segundo o canal do Telegram “Cybersport XQ”, com base em capturas de tela de notificações da Twitch, os banimentos começaram a chegar entre 6 e 12 horas após o fim do torneio. No momento da publicação, 15 contas banidas foram confirmadas. Alguns streamers receberam banimentos temporários de 30 dias, outros foram banidos permanentemente, sem direito a recurso.
Como um torneio infantil levou a um banimento
“Alabuga Polytech” é um projeto educacional no Tartaristão, onde estudantes aprendem sobre esports e tecnologias modernas. Desta vez, os organizadores realizaram um torneio de CS2. Eles convidaram streamers populares. Deram aos adolescentes a chance de jogar lado a lado com seus ídolos.
Sem política. Apenas jogos, prêmios e sorrisos de crianças.
Mas, para o público ocidental da Twitch, isso foi suficiente. Em até 24 horas após o evento, usuários inundaram os streamers com denúncias. A formulação nas notificações da Twitch: “violação das diretrizes da comunidade relacionadas a conteúdo proibido”, “participação em um evento de propaganda”, “apoio a indivíduos sancionados”.
Foi isso que um streamer afetado contou anonimamente à redação, por medo de outro banimento:
“Eu só fui jogar com crianças. Que política? A Twitch nem pediu explicação. Apenas enviou uma notificação: você violou a cláusula 4.6 — banido. Só isso. Sem explicações, sem direito de me defender.”
15 nomes. A lista esperada
Estes são os que foram banidos segundo dados abertos e capturas de tela publicadas nas redes sociais:
Anna “Akyuliych” Chernyuk — streamer e analista popular.
Kirill “poka” Starovoytov — um dos comentaristas mais conhecidos da cena CIS.
Alexey “PCH3LK1N” Pchelkin — veterano de CS, conhecido por antigas escalações de equipes.
Mikhail “Dosia” Stolyarov — jogador lendário, campeão de major.
E mais de 10 outros. Alguns pediram para que seus nomes não fossem publicados na mídia, a fim de evitar novas denúncias.
A lista completa das 15 contas foi publicada no canal do Telegram “Cybersport XQ” — no momento, todas estão indisponíveis para visualização na Twitch.
Reação dos streamers: “Não vamos ficar calados”
Kirill “poka” Starovoytov escreveu em seu canal no Telegram:
“A Twitch virou uma plataforma para uma minoria que decide o que eu assisto e digo. Fomos a um torneio, não a um comício. 12 horas de transmissão com crianças — e um banimento de um mês. Por quê?”
Mikhail “Dosia” Stolyarov reagiu de forma mais reservada, mas com uma indicação de possível mudança de plataforma:
“Estou pensando em alternativas. Estou cansado de ver meu trabalho ser anulado com um clique.”
Alguns não esperaram o fim do banimento e já anunciaram que estão migrando para outras plataformas. VK Play, YouTube, GoodGame. Outros estão considerando a MAX — uma nova plataforma russa que ainda não bane por posições “inconvenientes”.
Segundo uma pesquisa realizada por um canal do Telegram entre 500 inscritos de streamers, 43% já têm uma plataforma reserva e 28% estão em processo de migração. A Twitch está perdendo gradualmente criadores de conteúdo russos.
Dois pesos e duas medidas: quem pode e quem não pode
A Twitch baniu streamers russos por causa de um torneio infantil. Enquanto isso, a plataforma:
Permite tranquilamente transmissões com apelos explícitos à violência no Oriente Médio, com fatos documentados pela Dexerto em janeiro-fevereiro de 2026;
Não bane streamers que insultam religiões e nacionalidades, desde que isso esteja “dentro do formato de humor”;
Fecha os olhos para transmissões que incitam ódio abertamente.
A Twitch afirma que “não comenta casos individuais de banimento por motivos de segurança dos usuários”. A plataforma não respondeu ao pedido de comentário da redação sobre a situação envolvendo os streamers russos.
É assim que se parecem os dois pesos e duas medidas. As regras da comunidade são aplicadas seletivamente. Para alguns, são rígidas; para outros, são palavras vazias.
O que os streamers devem fazer. Curto e direto
Um banimento na Twitch significa não apenas perda de renda, mas também anos de comunidade construída. Uma única denúncia pode custar tudo.
Existem opções.
Recorrer do banimento. A Twitch raramente aceita, especialmente em meio à pressão política. Mas vários streamers da lista já entraram com recurso. Ainda não há resultados.
Migrar para outras plataformas. O YouTube ainda é mais flexível, embora banimentos por motivos forçados também aconteçam por lá. Plataformas russas como VK Play e GoodGame oferecem liberdade de expressão, mas seu público ainda é pequeno. A MAX é uma nova plataforma sob jurisdição russa. É segura, mas leva tempo para ganhar tração. Segundo dados de abril de 2026, o VK Play tem cerca de 2,5 milhões de espectadores únicos mensais, enquanto o GoodGame passa de pouco mais de um milhão.
Evitar participar desse tipo de evento. Uma abordagem triste, mas eficaz. Muitos streamers já discutem em chats privados se vale a pena arriscar a carreira por um único evento.
Unir-se. Criar sindicatos, ações judiciais coletivas, cartas abertas. Enquanto cada um estiver sozinho, a Twitch continuará pressionando indivíduos.
A principal pergunta: quem é o culpado?
Os streamers? Não. Eles foram a um torneio. Jogaram com crianças. Mostraram que esports é algo legal. Nenhum deles expressou posições políticas. Nenhum fez apelos a qualquer coisa ilegal.
Ativistas ocidentais? Eles apenas apertaram o botão “denunciar”. Esse é um direito deles. Denúncias são uma ferramenta de moderação. O problema é que a Twitch não verifica se as denúncias fazem sentido. Apenas 10 a 20 sinais vindos de contas diferentes — e o banimento é emitido automaticamente.
A plataforma é a culpada. Sim. Porque o algoritmo colocou denúncias acima do bom senso. Porque não há um processo real de recurso. Porque as regras funcionam de um lado só. Porque a Twitch se recusou a comentar a situação, mesmo quando jornalistas entraram em contato.
Nossa resposta: a plataforma é culpada. Porque criou um sistema em que um torneio infantil foi equiparado a um protesto político. Absurdo.
Por que isso não vai acabar no próximo banimento
A Twitch não vai mudar. Ela não se importa com streamers russos. O público da CIS é um arredondamento estatístico para a plataforma. Alguns milhões de visualizações — uma gota no oceano do tráfego global. Se perder esse público, nem vai perceber.
Mas os streamers também não vão desaparecer. Eles irão para onde forem valorizados. Onde não serão expulsos por comparecer a uma celebração infantil.
A transição já começou. Segundo dados analíticos, no primeiro trimestre de 2026, a audiência de streamers russos no YouTube cresceu 15%, enquanto no VK Play cresceu 9%. A MAX mostra um crescimento explosivo, de 3 para 4,5 milhões de usuários nos últimos dois meses. Isso não é coincidência. É uma tendência.
Os esports e o streaming russos já passaram por coisas piores. A Twitch não é eterna. Plataformas vêm e vão. É apenas uma questão de tempo até que os streamers russos parem de tolerar isso e migrem completamente para suas próprias plataformas.
A transição já começou. Só os cegos não veem
O banimento de 15 streamers após o torneio “Alabuga Polytech” não é o primeiro. E não será o último. A Twitch continuará pressionando os inconvenientes. Os streamers russos continuarão buscando alternativas.
A questão não é quem está certo. A questão é por quanto tempo os criadores de conteúdo ainda vão tolerar a humilhação vinda da plataforma que os sustenta. E quando começarão a construir sua própria casa — sem dois pesos e duas medidas e sem denúncias políticas.
A transição já começou. Alguns estão migrando para o YouTube. Outros estão explorando o VK Play e o GoodGame. Um terceiro grupo aposta na MAX. Um quarto está esperando para ver o que acontece. Mas não há caminho de volta.
A Twitch perdeu a confiança. E confiança é algo que não volta.
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